A moeda norte-americana encerrou a última sessão da semana em queda, fechando a sexta-feira (7) cotada a R$ 5,0836. Este movimento marcou o retorno do dólar para um patamar abaixo de R$ 5,10, algo que não ocorria há três pregões no mercado de câmbio.

Apesar do alívio pontual na cotação do dólar frente ao real na sexta-feira, o desfecho da primeira semana de agosto trouxe uma leve valorização de 0,26% para a moeda americana. Este resultado acontece após uma queda de 1,79% registrada em julho, mantendo o dólar com uma perda acumulada de 7,39% no ano.

A principal razão para o recuo do dólar veio de Washington, com dados econômicos dos Estados Unidos que surpreenderam o mercado. Contudo, mesmo com a fraqueza da divisa americana, o real brasileiro não conseguiu se destacar entre as moedas de países emergentes, enfrentando seus próprios desafios.

Payroll nos EUA derruba o dólar e muda previsões

O grande catalisador para a queda do dólar no pregão foi a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll. O indicador apresentou um cenário inesperado para os analistas, revelando o fechamento líquido de 23 mil vagas de trabalho em julho.

As expectativas do mercado apontavam para um cenário oposto, com projeções que variavam entre a criação de 63 mil e 130 mil novos postos, com uma mediana de 80 mil. Embora a taxa de desemprego tenha recuado de 4,2% para 4,1%, essa melhora foi atribuída ao encolhimento da taxa de participação no mercado de trabalho.

De acordo com James Knightley, economista-chefe internacional do ING, o payroll fraco reforça a previsão de uma pausa prolongada pelo Federal Reserve (Fed) no corte de juros. Contudo, ele alerta que o cenário ainda não está fechado. "Antes da reunião de setembro, temos mais um relatório de emprego e duas leituras de inflação, além do Simpósio de Jackson Hole", afirmou Knightley, destacando a influência dos próximos indicadores de preços.

Juros nos EUA: Fed em compasso de espera

O fechamento inesperado de vagas em julho esfriou o entusiasmo por novos apertos monetários nos Estados Unidos. No final do mês passado, os juros americanos foram mantidos na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.

A ferramenta FedWatch, do CME Group, mostrou uma mudança significativa nas projeções: a probabilidade de uma alta da taxa de juros pelo Federal Reserve na reunião de setembro deixou de ser majoritária, caindo da faixa de 54% para cerca de 46%. Apesar disso, o mercado ainda projeta mais de 50% de chances de uma elevação de juros em outubro.

A perda de força do dólar foi um fenômeno global. O índice DXY, que compara a moeda norte-americana a uma cesta de seis divisas fortes, registrava queda de 0,37% por volta das 17 horas, atingindo 99.563 pontos, após uma mínima de 99.402 pontos. No acumulado do início de agosto, o Dollar Index recuou cerca de 0,25%, favorecido também pelo fortalecimento do iene após uma intervenção conjunta entre os Estados Unidos e o Japão.

Por que o real não acompanhou a valorização global?

Mesmo em um ambiente global favorável à busca por risco, que geralmente abre espaço para a valorização de divisas emergentes, o real brasileiro não conseguiu figurar entre as moedas com os maiores ganhos. O desempenho modesto da moeda nacional no acumulado semanal é explicado por uma combinação de fatores.

O primeiro deles é o comportamento do petróleo. Embora a commodity tenha registrado alta de aproximadamente 1% na sexta-feira (7), os contratos do petróleo fecharam a semana em queda, pressionados pelas expectativas de um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para o transporte de petróleo.

O segundo fator é a tensão diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos, que alimentou a cautela dos investidores em relação ao risco político e econômico. Por fim, a prudência esteve ligada ao Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado financeiro manteve uma postura defensiva antes da decisão do Banco Central, que confirmou na quarta-feira (5) o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, levando a taxa básica de juros para 14% ao ano.

Perguntas Frequentes

Qual a cotação final do dólar na última sexta-feira?

O dólar à vista encerrou a última sexta-feira (7) cotado a R$ 5,0836, marcando a primeira vez em três pregões que a moeda americana fechou abaixo de R$ 5,10.

O que é o payroll e como ele influenciou a queda do dólar?

O payroll é o relatório de emprego dos Estados Unidos, um indicador crucial da saúde econômica. Em julho, ele revelou o fechamento inesperado de 23 mil vagas, um número que surpreendeu negativamente o mercado e levou à queda do dólar, pois sugere uma postura menos agressiva do Federal Reserve em relação aos juros.

Por que o real não valorizou mesmo com o dólar em baixa?

O real não brilhou devido a três fatores principais: a queda semanal do preço do petróleo, as tensões diplomáticas entre Brasil e EUA que aumentaram a cautela dos investidores, e a postura defensiva do mercado antes da decisão do Copom, que confirmou o corte da Selic para 14% ao ano.