Novas normas do governo abrem o mercado de benefícios corporativos para bancos e fintechs.
O mercado de vale-refeição e vale-alimentação passa por uma profunda transformação no Brasil com a entrada de novas instituições financeiras de peso no setor de benefícios corporativos, historicamente dominado por poucas marcas.
A mudança de cenário ocorre após reformas nas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador, que reduziram barreiras de entrada e atraíram bancos como BTG Pactual e C6 Bank para um mercado que movimenta cerca de 150 bilhões de reais por ano, conforme informação divulgada por INFOMONEY.
As novas diretrizes buscam ampliar a concorrência entre as empresas do setor e modernizar a infraestrutura de pagamentos, impactando diretamente milhões de trabalhadores em todo o país que dependem desses benefícios para a alimentação diária.
Impacto das novas regras no PAT
Com a entrada em vigor do Decreto 12.712 em 2025, as operadoras de grande porte com mais de 500 mil clientes ficam proibidas de atuar nos chamados arranjos de pagamentos fechados, modelo em que as bandeiras negociavam individualmente com cada estabelecimento comercial.
Agora, o cartão benefício deve operar em uma infraestrutura aberta, unificada e interoperável, permitindo que todos os terminais de pagamento processem diferentes bandeiras e garantindo maior liberdade para os estabelecimentos comerciais credenciados.
A regulação também estabelece um teto para as taxas cobradas e reduz para apenas 15 dias o prazo máximo para o repasse dos valores financeiros devidos aos restaurantes e redes de supermercados após as transações.
Aposta dos bancos em benefícios corporativos
Instituições como o BTG Pactual e o C6 Bank enxergam no setor de benefícios corporativos uma oportunidade estratégica para ampliar a oferta de serviços financeiros e conquistar a chamada principalidade junto aos clientes corporativos.
O C6 Bank está estruturando uma operação própria para emitir cartões de benefícios no segundo semestre, aproveitando sua base e sua forte atuação no crédito consignado privado em parceria com o J.P. Morgan, conforme detalhou a instituição.
No BTG Pactual, o cartão trará a bandeira Mastercard integrando vale-alimentação e vale-refeição, com foco em simplificar a gestão empresarial e atrair novas empresas clientes para o ecossistema de varejo bancário do banco de investimentos.
Crescimento das fintechs flexíveis
As mudanças regulatórias trouxeram forte impulso para empresas de benefícios flexíveis como Caju, Flash e Swile, que já operavam nativamente com modelos de bandeiras abertas baseados em redes como Visa ou Mastercard no mercado nacional.
Essas fintechs deixam de enfrentar desvantagens competitivas diante de concorrentes tradicionais que ofereciam descontos e vantagens exclusivas para fechar contratos de longo prazo com grandes empregadores do setor privado brasileiro.
O ecossistema financeiro também conta com a atuação de empresas de infraestrutura como a Swap, fintech especializada em banking as a service que facilita a criação de produtos financeiros personalizados sob medida para outras marcas corporativas.
Perguntas Frequentes
O que muda no mercado de vale-refeição com as novas regras?
As operadoras grandes não podem mais usar arranjos fechados, exigindo infraestrutura aberta e interoperável, além de teto nas taxas e repasse aos restaurantes em até 15 dias.
Quais bancos entraram no mercado de vale-refeição?
O BTG Pactual e o C6 Bank anunciaram entrada no setor de benefícios corporativos para emitir cartões de vale-refeição e vale-alimentação integrados.
Quanto movimenta o setor de vale-refeição no Brasil?
O mercado brasileiro de benefícios corporativos movimenta cerca de 150 bilhões de reais por ano, atendendo milhões de trabalhadores vinculados à CLT.


