Queda recente nos preços esconde pressões futuras que podem comprometer a economia e os juros.
O arrefecimento recente nos índices de preços gerou otimismo no mercado financeiro após a divulgação de dados favoráveis. Especialistas alertam, contudo, que o alívio no custo de vida é passageiro e esconde riscos importantes para os próximos meses, conforme informação divulgada por INFOMONEY.
A trégua na inflação oficial foi impulsionada por fatores pontuais, como o bônus nas tarifas de energia elétrica e um período sazonalmente favorável para os produtos agrícolas. Analistas apontam que a desaceleração econômica ainda não atingiu o patamar necessário para garantir a estabilidade duradoura.
O cenário gera preocupação entre economistas de instituições como Tendências Consultoria e 4intelligence, que enxergam ameaças vindas tanto do cenário doméstico quanto do ambiente internacional, exigindo cautela redobrada do Banco Central na condução da política monetária.
Impacto do bônus de energia na inflação
A deflação registrada no IPCA-15 surpreendeu positivamente, mas analistas destacam que o resultado reflete a devolução do bônus de Itaipu nas contas de luz. O economista Fábio Romão, da 4intelligence, reforça que haverá uma alta importante nos preços já em setembro, cujos efeitos serão conhecidos em outubro.
Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, ressalta que o comportamento dos preços agrícolas também ajudou no curto prazo, mas sem perspectiva de repetição contínua. Para a consultoria, a inflação projetada deve encerrar os próximos anos em patamares elevados, exigindo um esfriamento mais amplo do consumo.
Ameaça do El Niño nos alimentos
O custo da alimentação continua pesando no orçamento familiar desde o início da pandemia, frustrando a percepção de melhora dos consumidores. Mesmo com recuos pontuais, comprar no supermercado permanece significativamente mais caro do que em 2020, segundo levantamento de mercado.
Para o futuro próximo, o principal vetor de risco para a categoria de alimentos é o fenômeno climático El Niño. O impacto na produção agrícola deve se manifestar no final deste ano e no primeiro semestre de 2027, dificultando uma trajetória consistente de queda para o IPCA.
Pressão do petróleo e cenário fiscal
No cenário externo, a cotação do petróleo Brent em patamares elevados pressiona os custos de produção e transporte no Brasil. Conflitos geopolíticos no Leste Europeu e no Oriente Médio elevam as incertezas, ameaçando anular os esforços internos de controle inflacionário conduzidos pelo governo.
No aspecto interno, a ausência de uma âncora fiscal sólida e o crescimento das despesas públicas mantêm os juros pressionados. O economista Carlos Primo Braga, da Fundação Dom Cabral, aponta que o endividamento elevado e orçamentos expansionistas aumentam o risco de dominância fiscal no país.
Perguntas Frequentes
O alívio na inflação atual é definitivo?
Não, economistas alertam que a queda recente é pontual e impulsionada por fatores temporários, como o bônus nas tarifas de energia.
Quais são os principais riscos para a inflação futura?
Os maiores riscos incluem o impacto do fenômeno El Niño nos alimentos, a alta do petróleo no mercado internacional e a instabilidade fiscal brasileira.
Como a questão fiscal afeta os juros no Brasil?
O endividamento elevado e a falta de ajuste nas despesas públicas mantêm os juros de longo prazo pressionados, reduzindo a eficácia da política monetária.


