Criação de vagas nos EUA surpreende e mexe com o mercado financeiro global nesta sexta-feira.
O mercado financeiro internacional registrou forte volatilidade nesta sexta-feira após a divulgação do payroll dos Estados Unidos, principal relatório oficial sobre o mercado de trabalho do país. A economia americana registrou a criação de 162 mil vagas de emprego em agosto, um número muito acima das 55 mil previsões iniciais dos analistas econômicos.
A surpresa com o dado de emprego gerou forte pressão sobre Wall Street e impulsionou a cotação do dólar, além de derrubar os principais índices globais. No Brasil, o Ibovespa sentiu o impacto imediato e despencou na abertura dos negócios, mas surpreendeu os analistas ao recuperar as perdas ao longo do dia, conforme informação divulgada por INFOMONEY.
A reação atípica do mercado brasileiro chamou a atenção de especialistas, que apontam fatores domésticos e a atratividade dos ativos locais como fundamentais para sustentar o principal índice da Bolsa brasileira em um ambiente externo altamente desafiador.
Impacto do payroll nos juros dos EUA
O resultado do payroll veio extremamente acima das expectativas, com o relatório mostrando ainda que a taxa de desemprego nos Estados Unidos permaneceu estável em 4,1%. O ganho médio por hora trabalhada avançou 0,3% no mês, enquanto a alta salarial em 12 meses atingiu 3,1%, pressionando as perspectivas para a inflação norte-americana.
Segundo Rafael Perretti, economista e analista da Clear Corretora, o mercado de trabalho mais firme dá margem para o Federal Reserve manter o foco no combate à inflação. O cenário aumentou imediatamente as apostas em uma nova alta de juros na próxima reunião do banco central americano, conforme dados da ferramenta FedWatch.
Gangorra e volatilidade no Ibovespa
Após iniciar o pregão sob forte pressão vendedora, o Ibovespa mergulhou até 13.251 pontos, registrando queda superior a 1%, em um movimento de realização de lucros avaliado por Alexandre Wolwacz, o Stormer, trader e sócio-fundador da Liberta. A moeda americana também avançou, negociada a R$ 5,13 no fechamento.
No entanto, o índice acionário brasileiro virou para o campo positivo e atingiu a máxima de 186.544 pontos durante a sessão. Para Alison Correia, trader e sócio da Dom Investimentos, o indicador americano funcionou como o gatilho para uma correção necessária após os recentes ganhos expressivos acumulados na Bolsa brasileira.
Fatores domésticos sustentam a Bolsa
A resiliência do Ibovespa diante do choque externo foi explicada por especialistas como reflexo da força do cenário interno. Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital, destacou que os investidores priorizaram questões locais, como as expectativas em torno do cenário eleitoral e a trajetória das contas públicas.
Além disso, a percepção de que a Bolsa brasileira continua barata e atrativa ajudou a atrair fluxo comprador estrangeiro. Enquanto os índices de Nova York fecharam no vermelho, o Ibovespa encerrou o dia praticamente estável, com leve baixa de 0,02%, aos 185.147 pontos.
Perguntas Frequentes
O que é o payroll e por que ele afetou o mercado?
O payroll é o principal relatório de empregos dos Estados Unidos. Ele afetou os mercados globais porque veio muito acima das expectativas, aumentando as apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve.
Por que o Ibovespa resistiu à queda dos EUA?
O Ibovespa resistiu porque fatores domésticos, como a atratividade dos ativos brasileiros e o foco em questões locais e eleitorais, atraíram compradores e compensaram o choque externo negativo.
Como o dólar e o mercado americano reagiram ao payroll?
O dólar avançou 0,5% e fechou cotado a R$ 5,13 no Brasil, enquanto os principais índices de Nova York, como S&P 500, Dow Jones e Nasdaq, encerraram o pregão no vermelho.


