Restrições de altura para novos edifícios afetam mais da metade da capital paulista e geram alerta no setor imobiliário.
As mudanças nas regras de voos do aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, criaram um impasse com o mercado imobiliário da capital e de cidades vizinhas. A transição para operações por instrumentos exigiu um plano de proteção que limita a altura de novas construções em um raio de 20 quilômetros.
A partir de agora, qualquer obra nessa área que ultrapasse os 45 metros de altura do terminal aeroportuário precisa de autorização do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, ligado à Força Aérea Brasileira. A medida alterou drasticamente o panorama do desenvolvimento urbano na cidade, conforme informação divulgada por INFOMONEY.
Enquanto autoridades e entidades do setor debatem os reflexos econômicos e os prazos de licenciamento, o volume de solicitações de pareceres técnicos na região registra alta, levantando discussões sobre o impacto no planejamento habitacional paulistano.
Impacto das novas regras no mercado imobiliário
O presidente-executivo do Secovi-SP, Ely Wertheim, aponta que o aeroporto do Campo de Marte é o mais baixo de todos por estar na várzea. Por causa disso, a cidade inteira sofre com restrições de gabarito que afetam hospitais, universidades e equipamentos em geral.
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias estima que as novas regras podem gerar um custo adicional de até R$ 2,7 bilhões por ano para as empresas. A entidade defende uma solução construída por meio do diálogo para preservar a segurança sem prejudicar a moradia.
Aumento nos pedidos de análise ao Decea
O balanço do Decea mostra um crescimento expressivo nos pedidos de pareceres para novas obras. Entre 16 de dezembro de 2025 e 30 de junho de 2026, o número de solicitações subiu para 8.187, impulsionado pela nova dinâmica de voos.
Apesar do volume maior, a proporção de processos que exigiram análise técnica mais profunda manteve-se estável em 13%. Para a Pax Aeroportos, isso comprova que a operação por instrumentos é plenamente compatível com a atividade imobiliária na capital.
Mudança estrutural e prazos de aprovação
A transição para os voos por instrumentos foi uma previsão contratual assumida pela Pax em 2022. A diretora executiva Mônica Marcondes de Castilho destaca que regiões como Perdizes, Santana e o centro foram diretamente atingidas.
Com o fim das dispensas automáticas, o processo de aprovação na Aeronáutica, que antes levava cerca de três semanas, passou a exigir quase 60 dias de tramitação para os novos empreendimentos imobiliários.
Perguntas Frequentes
O que mudou nas regras do Campo de Marte em São Paulo?
O aeroporto passou a operar por instrumentos, exigindo que construções em um raio de 20 quilômetros e com mais de 45 metros de altura obtenham autorização da Força Aérea Brasileira.
Como as novas regras afetam o setor imobiliário paulistano?
As restrições de altura atingem mais da metade da cidade, podendo resultar em prédios mais baixos, maiores prazos de liberação e custos adicionais bilionários para as incorporadoras.
Quem precisa aprovar os novos projetos de edifícios na região?
Os empreendimentos localizados na área de proteção precisam passar pela análise prévia do Departamento de Controle do Espaço Aéreo antes de receberem o licenciamento municipal.


